segunda-feira, 7 de abril de 2014

Explicações preambulares

O penúltimo vestibular que fiz em minha vida foi o da Universidade Estadual de Maringá, no qual pleiteava uma vaga no curso de Medicina Veterinária. Durante a prova de redação, em vez de ideias sobre o tema, surgiu na minha cabeça a história completa do defunto Salomão e o mistério que rondava sua vida, digo, existência cadavérica pós intervenção da gadanha divina.
Ao chegar em casa comecei a rabiscar essa história. Mesmo que sob a pressão algoz da minha autocrítica, fui impertinente e dei fluxo ao texto. Contudo, o maior desafio não foi vencido: a linearidade tradicional do romance.
Sempre escrevi contos e agora me deparo com o adormecer e despertar diante de uma mesma história. Problema que resolvi me agarrando aos escritos de Graciliano Ramos, mais especificamente, Vidas Secas. Quem leu sabe que os capítulos são móveis, falam do mesmo assunto mas não precisam estar naquela ordem exatamente.
Deste modo sigo a narrativa e encontrei o segundo obstáculo: por que escrevo? Ora, porque sim. Mas tantas páginas, pesquisas e rodeios para enfiar tudo em uma gaveta? Bem, eis que decidi me amparar nos romances folhetinescos de antigamente. Confesso que jamais teria coragem de enviar a um editor minha história - há um medo inexplicável em torno disso.
Eis que decidi publicar semanalmente os pequenos capítulos da narrativa, que, admito, não espero ser acompanhada por muitos. Afinal, de autores jovens e incautos, assim como eu, o mundo está cheio. Em tom de registro, cheia das blindagens psicológicas diante de críticas e sem demasiada pompa e circunstância, inauguro O mistério do defunto Salomão, a ser capitularmente exposto neste blog.

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